O Arco de Ébano
Hoje eu vou conseguir, pensou Geoff, enquanto escolhia uma das flechas e a encaixava em seu arco. Vestia um simples traje de camisa branca com mangas longas e uma calça marrom que ia até os joelhos, ambas sujas e surradas. O sol brilhava absoluto, acompanhado por um céu azul de poucas nuvens e sem ventos fortes. Talvez seja um sinal, pensou Geoff. Os deuses ouvem, afinal. Geoff tivera o trabalho de montar um boneco para treinar, usando uma abóbora para a cabeça e roupas velhas e rasgadas cheias com palha para o corpo, prendendo-o à uma estaca e a estaca ao chão, um pouco afastada de sua pequena casa na Floresta das Mãos. Situada bem ao sul de Lussolar, nas Terras do Sol, a Floresta das Mãos começa no fim de Vilaverde e se estende até o Precipício da Rainha, e ganhou esse nome graças ao grande número de Árvores-Mãos que podem ser encontradas na floresta. Essas árvores estranhas assemelham-se a mãos com os dedos apontados para cima e tortamente inclinados, de troncos escuros e folhas de um verde-musgo. Pelo fato de serem tão estranhas, diversas lendas são contadas sobre elas em Lussolar e nas Terras do Sol. Dizem que essas árvores foram mãos de gigantes enterrados vivos pelos Filhos do Sol, no passado, e que falharam ao tentar subir de volta à superfície tempos depois, morrendo com apenas as mãos para cima. Outros contam uma história parecida, dizendo que os gigantes morreram e foram enterrados, e que um poderoso feiticeiro com um cajado encantado quase conseguiu traze-los de volta a vida, mas descobriu que não tinha poder suficiente pra isso. Dizem também que, à noite, é possível ver as mãos estremecerem e o movimentar dos dedos de forma vagarosa. A floresta muito raramente recebia visitantes por conta de tais histórias, embora Geoff não julgue nenhuma verdadeira. Morava ali havia 13 anos com sua mãe e seu pai, e nunca vira nada parecido com o que as lendas diziam. A floresta sempre foi bastante calma e nunca tivera problemas com animais selvagens, homens armados ou mãos de gigantes.



